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sábado, 4 de agosto de 2012

CIPRESTE





Um dia eu vou morrer
E todos vão me esquecer
Não sei se rápido ou lentamente
Mas vou ser esquecido, vou sim
Numa lembrança perdida ao vento
Numa lágrima que cai sem razão
Numa noticia num canto de mural escolar
Em alguma recordação vã de um ex-aluno idoso
Em algum site de busca da internet
Em algum site de poesia, se ainda existir poesia nesse dia
Em um livro empoeirado em algum canto por ai
E talvez nos parentes remanescentes que sobreviverem
Ah, eu for ser esquecido sim, mas será que eu mesmo vou esquecer-me de mim?
Espero que não, pois vivi a vida toda na contramão da minha existência
Lutando para não perder a essência, ser referência e também incidência
Apesar da insistência de muitos eu lutei até as minhas últimas forças
Eu fiz tudo errado tentando fazer certo, eu fui louco em demasia, eu respirava poesia
Eu chorava de alegria e tristeza, eu me emocionava sem motivo nenhum ou certeza
E dos meus olhos vertiam lagrimas que me assustavam e me encantavam em sincronia
Eu disse coisas impensadas, eu tentei me encontrar, eu tentei amar, eu banhei nu no mar
E escrevia poesias entre um ou outro jato de água fria e entre uma vida quase vazia
Ah, eu escrevia poesias sim, de fato, inexato, a todo o momento, num insight, numa fuga lúdica
Ah, eu escrevi poesias, muitas, eu as relia, eu me surpreendia... ah, ou será que apenas eu sonhava acordado.

sábado, 21 de julho de 2012

INDÍCIOS ILÍCITOS


              
Como fazer para ter vida
No meio de figuras mortas?
Que se enfileiram em ardis minucias
No perambular de cambaleantes vultos
Que se escondem não se sabe onde

E fogem não se sabe de quem
Que deflagram absurdos e veem tudo turvo
Naquele mirante minguante que fica no mais alto cume
Donde jazem as desesperanças e desafetos
Remanescentes do que já foi rastro de alguém um dia.

sábado, 30 de junho de 2012

PRANTO SUCATEADO



Chove dentro de mim
Uma chuva ácida
Um chuvisco dorido
Está chovendo torrencialmente
E por mais que eu tente e fuja
Não consigo fugir da chuva, das nuvens
Desse dia ferozmente nublado...
A chuva molha de cima a baixo
Me molha de todos os lados
Me deixa embriagado, todo encharcado
Todo ensopado de água de chuva
Que não para nunca de molhar e respingar
Chove profundamente aqui dentro, bem no fundo
Chove muito forte, chove e estou sem guarda-chuva
Chove bastante em cima do meu pranto sucateado.

domingo, 27 de maio de 2012

DORES & ODORES



Você chegou do nada
Alternando de supetão
Do estado deveras ausente
Ao presente que só sente
E do modo letárgico
Meio sonâmbulo
Eu passei a atraído
Mais que embriagado
Acho que seduzido
Flechado pelo cupido
Frente ao medo danado
De ser mais uma vez ferido
Por isso às vezes, fujo
Quebro a cabeça, confuso
Perco o controle, entre dores e odores
Pois o sentimento existe
Tão vivo aqui dentro de mim
Se enraizando em explosão
Surge assim um pânico profundo
Ao constatar sem vacilar
Que estou de novo a amar.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

PRA TE VER




Pra te ver... Vou a qualquer lugar
Vou de qualquer jeito
Seja como for eu vou
Pois tenho um grande amor
Guardado aqui no peito.

Pra te ver...
Durmo nas estrelas
Atravesso o mar
Enfrento a imensidão
Tudo pra dar vazão
Ao grande amor do meu coração.

Pra te ver...
Viajo ao horizonte
Ergo os montes
Faço até transplante
Tudo por causa do meu amor
Que é infinitamente grande.

Pra te ver...
Transformo noite em dia
Tristeza em alegria
Prazer em agonia
Satisfação em melancolia
Tudo por que almejo
Ser o alvo dos teus desejos um dia.

Pra te ver...
Vou a lua
Saio nu na rua
Faço gozação
Simulo qualquer situação
Tudo pra ver em você...
A louca explosão da paixão.

domingo, 29 de abril de 2012

O CORVO E A LARVA



















DE REPENTE DO NADA QUE DESAGUA
EU ME PERCO NESSAS ANDANÇAS DA VIDA
NA IMENSIDÃO QUE SE APRESENTA DIANTE DOS OLHOS
E EM MEIO A ESSA NÉVOA EM QUE A EXISTÊNCIA
SE DESFAZ E SE PERFAZ
FICO PERPLEXO PERANTE TANTOS ATOS E FATOS
SEM NEXO E ANEXOS AO FIM DE TODO O RESTO QUE TRAGA
O CORVO CORPO E A LARVA ALMA.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

RASTRO DE POEMAS

Revisitando meus escritos
Antigos e inglórios
Tais quais pergaminhos
Encontrei tanta coisa
Estranha
Até teias de aranha
E amarelidão no papel
Letras de datilografia
Palavras do primórdio
Tudo revelando o tempo
Passante, passado, passeante
De fato tudo passou
Eu não sou mais o mesmo
Hoje gosto de pão com queijo
E veja até de cerveja...
Do amanhã não sei nada ainda
O que sei apenas é que a poesia mora e sempre vai morar em mim
Ela pulsa latente, de forma irreverente, não me deixa ficar ausente
E assim eu sigo rente eu e a poesia, de mãos entrelaçadas, deixando um rastro de poemas.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

ORBE





Pra sempre...
A inexatidão das horas
A lacuna da história
A falta de rosas.

Pra sempre...
A imprecisão dos instantes.
A elucubração dos amantes.
A coisificação do antes.

Pra sempre...
A mercê do momento
A espera do fragmento
A galopar no tempo...

Pra sempre...
Tudo tão insipiente.

quinta-feira, 29 de março de 2012

SALA DE AULA



Todo dia..
Eu nasço e morro
Eu sou velho e novo
Eu aprendo e desaprendo
Eu me arrasto e corro
Eu assisto o transitar do ontem e do hoje.
Eu sou o mais e também sou o menos.

Todo dia...
Eu sou amargo e sereno
Eu sou grande e pequeno
Todo dia o nascer do sol me acena
Todo dia na escuridão da noite me perco.
Todo dia menos lembro e mais esqueço.
Todo dia o passado e o futuro me cumprimentam
Na partida e chegada diária e nesse interim
O presente me ignora e faz pouco caso de mim
Todo dia tudo o que eu sou se afasta cada vez mais do meu cais
E o que eu nunca serei naufraga em mar bravio e sombrio
Em meio à tempestade que invade sem aparente alarde
Espalhando medo e deixando a alma dorida de tanta saudade.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

GOSTO DE VENENO


Gosto de veneno...
No sereno,
No ameno,
No desenho.


Gosto de veneno...
No terno,
No eterno,
No reverso.


Gosto de veneno...
Na lágrima,
Na lástima,
Na sátira.


Gosto de veneno...
Na boca,
Solta,
Envolta,
No corpo,
De novo em agosto,
No nu e cru desgosto
Perdido na última:
Imagem do teu rosto.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

MARIA FLOR




Maria da Luz andava às cegas pela vida..
Maria da Fé, não acreditava em quase nada.
Maria da Paz estava angustiada por demais.
Maria da Glória ainda não viverá nenhuma.
Maria da Esperança transitava entre esperanças vãs.
Maria da Anunciação não conseguia vender nada.
Maria de Purificação, de pura somente tinha o nome.
Maria do Amparo se recusava a fazer jus ao nome.
Maria Auxiliadora, essa era o cúmulo do egoísmo.
Entre tantas outras Marias estava ela Maria Flor
Que mesmo entre adversidades conseguia ser flor em qualquer jardim.

sábado, 28 de janeiro de 2012

JARDINEIRO SEM JARDIM

Todo dia...
Ela passava
Eu a seguia

Ela andava
Eu me perdia
Ela parava
Eu me encantava.


Todo dia...
Ela vinha
Eu me aturdia
Ela olhava
E me matava
Ela falava
Eu me confundia
Ela sorria
Eu morria


Todo dia...
Era assim
Eu cada dia mais distante dela
E ela cada vez mais próxima sim
Eu sem ela
Ela sem mim
Eu lírio
Ela jasmim
Ela sem jardineiro
Eu sem jardim

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

FLOR NO CABELO


FLOR NO CABELO

Flor no cabelo...
Enlevo
Ensejo
Esquartejo
Da falta de traquejo
Em sobejo
Que vejo e revejo
Diante do espelho
No qual percebo
Que o desmantelo
Não está na flor
Não está no cabelo
Não está no que almejo
Está no corpo
Ao qual desejo
Que esteja sem flor
E sem cabelo
Esteja apenas
Ensimesmado
Pelo lampejo
Que parecia pena
Mas é perda
Quiçá peleja
Quer queira
Ou não queira
Entre um ou outro
Levantar das sobrancelhas.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CEMITÉRIO DE AMORES






No meu cemitério interior

Jaz tantos amores inglórios

Uns com memória

Outros sem história

Uns dentro de covas rasas

Outros em vala-comum

Alguns morreram feto

Poucos morreram senis;

E os demais eu mesmo matei

E alguns foram enterrados vivos

Por puro vício e castigo

Que me perdoem todos foi preciso.

Um ou dois cometeram suicídio

E um ou outro sepultei como indigente

Sem direito a lápide, a coroa de flores

A visita no dia de finados ou vela no quarto

Nem epitáfio de identificação ou oração.

E assim vago entre esses amores mortos

Nesse necrópole de sentimentos ausentes

Localizado em algum lugar perdido

Nisso que chamam coração

E nesse cemitério sendo o coveiro

Eu cuido de tudo do nascimento ao enterro.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

TERRA & PÃO


Para o cemitério
Todos estamos indo para lá
Seja de onde vier
Seja de qualquer lugar
Não tem jeito
Não adianta relutar
Ele é o nosso eterno lar
E querendo ou não
É regra sem exceção
A hora da infinita comunhão
Pois da terra somos o pão.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

OLHOS DE GATO PRETO




Nada sei mais de mim
Nesses dias que vão e vem
Nesses dias intermináveis
Nesses dias que parecem não ter fim
Num girar louco que causa sufoco
Na espera insensata do que parece intermitente e inviável
No que parece ser instável e até execrável
Sob o lume de olhos de gato preto
Na encruzilhada do arvoredo de quina ao penedo
No lugar os mortos ejaculam segredos a meia luz
E onde os vivos conspiram contra as linhas tortas do destino.

RASGA-MORTALHA


Na vereda fria e escura que vislumbro atemporalmente

Ouço o ciciar do vento entre as folhagens

Ouço os ruídos de insetos nos confins da noite

Ouço o medo congelar os ossos como açoite

E assim sigo veementemente sorrateiro

No desbravar incógnito de ser sonho ou pesadelo

E nesse desmantelo eloquente e soturno

Vejo-me frente a frente com meus fantasmas mais temidos

Que chamam por mim entre grunhidos, gemidos e agravos

E nesse intervalo crucial me descubro rosa e cravo

Em seguida algo prende meu maxilar e minha jugular

No entremeio desse duelo agonizante reverbero a alma do umbral

Sinto uma apunhalada no coração fazer jorrar a vermelhidão da decepção

Enquanto isso uma adaga ágil e afiada despetala a rosa e decepa o cravo

Então reencontro sentido das coisas no meio do nada que brota em forma de copas

E didaticamente esquartejo o malfazejo que no seu vil desdenhar some na imensidão

E que intensamente me devora da forma mais inclemente e inglória.

DROPS DE MENTA (HallS)

Para as lacunas do vazio
As margens do rio
As roupas de frio
As amarras de fios
E nada de arrepios
Ou calafrios.

Para as lacunas do vazio
Mais brio
Mais assobio
Menos invio
Menos exício
Menos estio

Para as lacunas do vazio
Esvaziamento emergencial
Das toxinas da carnificina
Que fluem nitidamente
Da tosca visão que te alimenta
Nesse gosto que fica na boca
De dropes sabor de menta.


OBS.:ESSE POEMA É PARA UM AMIGO QUERIDO PERDIDO NO TEMPO E SUA INFINITA E REPLICANTE SOLIDÃO.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A 4 MÃOS





O meu amor é infinito.
O meu amor não cabe em si de tanto contentamento.
Eu só sei te amar.
Eu só sei te amar mais cada vez mais.
Eu sou capaz de dar a minha vida pra ficar contigo.
Eu seria capaz de dar duas vidas, se as tivesse.
Corri o “mundo inteiro” atrás de um amor e descobri que ele está aqui, bem ao meu lado pra sempre.
Eu fiz o mesmo durante “longos anos” e para minha surpresa estava tão perto, que é até impossível de pensar, dizer e acreditar.
O tempo todo o mundo girava em torno do nosso amor, pois nesse momento todo, nós estávamos sendo preparados para amar definitivamente.
Eu já não posso viver sem o teu amor, deixa eu me aconchegar nos teus braços, que me abraça com a força de um deus grego.
Se aconchega, se chega, se envereda e se perca em mim, mas tem que ser pro resto da vida.

ÚLTIMO GOLE DE MIM


ÚLTIMO GOLE DE MIM

A CADA DIA
UM POUCO DE MIM
SE VAI PRA SEMPRE
E NADA DE ADEUS
APENAS UMA FALTA FICA
QUE NÃO SE DISSIPA NUNCA
E SALTITA COMO MOLECA TRAVESSA
NUM MEIO DE UM CHUVISCO
TÃO RÁPIDO QUE NEM CHEGA A MOLHAR DIREITO
MAS MOSTRA O ESTRAGO QUE UM SIMPLES AFAGO
PODE FAZER A VOCÊ.