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quarta-feira, 27 de março de 2013

RETALHOS DE ONTEM

Hoje eu não sou mesmo de ontem
Nem o de antes de ontem
E diante de mim eu vejo um outro ser
Um reflexo sem nexo em espelho de estanho
A levantar voo num sobressalto
A se afastar de modo estranho
Que pareceu ser pra sempre.

Daí eu te chamo e não ecoa
Enquanto tudo que sinto por ti destoa
E num instante me pego a toa
Então uma dor pungente que ressoa
Transmuta o que há de melhor no meu eu
Numa criatura sombria que nada perdoa.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

BEIJOS SEM AMOR




Eu acabei de decidir
Que quero naufragar em beijos
Mesmo beijos sem amor
Porque beijar é mais que bom
Porque beijar anestesia a dor
Porque beijar me deixa em torpor
Por isso decidi que quero muitos beijos
Mesmo beijos sem sentimentos, sem amor
Porque sem beijos fico perdido, fico fraco, fico sorumbático
Acho que por isso tornei-me escravo de beijos
Mesmo os que todos eles sejam beijos sem amor...
Eu sei que preciso diariamente deles, desses beijos sem sabor
Uma dose inexata e ineficaz, não importa quero esses paliativos
Pois bem sei deles, preciso, afinal estou ainda vivo
Então reafirmo quero tantos e tantos beijos possa beijar
E por isso vou buscá-los seja aonde for
Mesmo que todos os beijos que terei sejam todos beijos sem amor

terça-feira, 30 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

EFÍGIE




No jardim de uma vasta casa
Uma efígie estranha habitava
E feito um verme se arrastava
Ao relento ou ao vento
Seja qual for a estação
Chova ou faça sol
Sempre lá ela estava
Muda...
Sentada...
E tristonha.
Seu olhar perde-se no horizonte
De um passado distante
Lágrimas instantaneamente
Rolam pela sua senil face
Falecendo no solo em enlace.
Uma sombra sombria
Em sua mente percorria
E no seu coração já adentrou
Depois fora embora
Sem olhar pra trás
Deixando ser semimorto
Extinto de sentimentos
Presenteando-a com grande angústia
Sugou-lhe a comoção... e a razão
Fê-lo prisioneiro da solidão.

sábado, 4 de agosto de 2012

CIPRESTE





Um dia eu vou morrer
E todos vão me esquecer
Não sei se rápido ou lentamente
Mas vou ser esquecido, vou sim
Numa lembrança perdida ao vento
Numa lágrima que cai sem razão
Numa noticia num canto de mural escolar
Em alguma recordação vã de um ex-aluno idoso
Em algum site de busca da internet
Em algum site de poesia, se ainda existir poesia nesse dia
Em um livro empoeirado em algum canto por ai
E talvez nos parentes remanescentes que sobreviverem
Ah, eu for ser esquecido sim, mas será que eu mesmo vou esquecer-me de mim?
Espero que não, pois vivi a vida toda na contramão da minha existência
Lutando para não perder a essência, ser referência e também incidência
Apesar da insistência de muitos eu lutei até as minhas últimas forças
Eu fiz tudo errado tentando fazer certo, eu fui louco em demasia, eu respirava poesia
Eu chorava de alegria e tristeza, eu me emocionava sem motivo nenhum ou certeza
E dos meus olhos vertiam lagrimas que me assustavam e me encantavam em sincronia
Eu disse coisas impensadas, eu tentei me encontrar, eu tentei amar, eu banhei nu no mar
E escrevia poesias entre um ou outro jato de água fria e entre uma vida quase vazia
Ah, eu escrevia poesias sim, de fato, inexato, a todo o momento, num insight, numa fuga lúdica
Ah, eu escrevi poesias, muitas, eu as relia, eu me surpreendia... ah, ou será que apenas eu sonhava acordado.