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segunda-feira, 14 de abril de 2014

SENTIMENTO NU





SENTIMENTO NU

Tenho medo...
De revelar meus segredos
Da falta de sorte
De não fechar meus cortes
De me olhar no espelho
E descobrir que sou feio.

Tenho medo...
De subir a escada
De andar pela auto-estrada
De olhar a minha cara
De enfrentar os traumas
De encarar os problemas
De elucidar os dilemas
De abortar as mentiras
De não cicatrizar as feridas.

Tenho medo...
Da realidade, da saudade
Das angústias, das verdades
De me sentir castrado
De ver meu outro lado.

Tenho medo...
De altura, da loucura
De não superar as amarguras
De ser uma alma impura
Dessa secura na garganta.

Tenho medo...
Da chuva forte
Que leva rumo norte
Do dia a dia, de almas frias
Da velhice, das caretices,
Das chatices, das burrices, enfim.

Tenho medo...
Do amor, da dor,
Do calor carnal,
Dessa velha união sexual.
Do eterno duelo entre o bem e o mal.

Tenho medo...
De nunca me encontrar
Por isso fujo do sol
Escondo-me da lua
Vivo perambulando na rua.
Atrás de uma gaiola que não seja minha
Nem sua.

Tenho medo...
Da folia, do riso, da arrelia
Da nostalgia, da vida vazia,
Da falta de alegria, da sinestesia, da analogia
Dos desejos camuflados, sonhos adiados
Pesadelos mascarados e do sabor dilacerado
Enfim, tenho até medo de mim
Contudo acima de tudo...
Tenho é vergonha
Vergonha da minha covardia.

sábado, 11 de janeiro de 2014

PRA INÍCIO DE CONVERSA (MEU LIVRO)



PRA INÍCIO DE CONVERSA

Pra início de conversa...
quero mostrar quem sou
sem nenhuma pressa.

Pra início de conversa...  
quero mostrar o que vejo
o que não esqueço.

Pra início de conversa...
quero te fazer ver o que
não pode ser visto a olho nu.

Pra início de conversa...
olhe por entre as frestas
entreabertas do seu coração.

Pra início de conversa
escute a si mesmo sem que eu peça.

Pra inicio de conversa
ouça a conversa desde o início
pois transformei meras palavras
em algo bem escrito para que
você possa ver o “mundo mais bonito”.

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ANDALUZIA




ANDALUZIA

Luzia andava como louca

Atrás do tal grande amor

Ou seria de sua grande dor

Seja lá como for

Andava Luzia...

Fosse noite ou a luz do dia

Ela andava em festas, em velórios

Em cemitérios, cartórios e territórios...

Sempre com o olhar no vazio

Nada fazia Luzia desistir de seu propósito.

Luzia andava e andava

Nenhum obstáculo a cansava

Nem tempestade a detia

E nem do sol se protegia

Nem falta de sapatos, nem olhares ingratos

Nem sede, nem fome, nem taquicardia

Ela apenas seguia a voz que dizia:

Anda Luzia.... e Luzia andava

Diante de nada sucumbia

E assim Luzia mais andava que vivia

O que Luzia ainda não sabia

Não por falta de sabedoria

Talvez ela soubesse e fingia que não via

Era que o seu amor tantas vezes

Já morrera quantos os quilômetros que percorria

E mesmo se soubesse dessa verdade

Acho que nem ligaria, não desistiria

Apenas  andava tanto quanto seu coração permitia

E sempre quando parava e depois partia nada dizia

Nem tampouco se despedia, nem ligava aos que lhe olhavam em demasia

Tentando lhe dizer coisas que ela não queria ou aos apelos inglórios de arrelia:

Para de andar Luzia, então ela abria a porta, saía e num rompante se virava e sorria...

Como se o sorriso fosse um açoite que reluzia no andar foice de Luzia. 


quarta-feira, 27 de março de 2013

RETALHOS DE ONTEM

Hoje eu não sou mesmo de ontem
Nem o de antes de ontem
E diante de mim eu vejo um outro ser
Um reflexo sem nexo em espelho de estanho
A levantar voo num sobressalto
A se afastar de modo estranho
Que pareceu ser pra sempre.

Daí eu te chamo e não ecoa
Enquanto tudo que sinto por ti destoa
E num instante me pego a toa
Então uma dor pungente que ressoa
Transmuta o que há de melhor no meu eu
Numa criatura sombria que nada perdoa.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

BEIJOS SEM AMOR




Eu acabei de decidir
Que quero naufragar em beijos
Mesmo beijos sem amor
Porque beijar é mais que bom
Porque beijar anestesia a dor
Porque beijar me deixa em torpor
Por isso decidi que quero muitos beijos
Mesmo beijos sem sentimentos, sem amor
Porque sem beijos fico perdido, fico fraco, fico sorumbático
Acho que por isso tornei-me escravo de beijos
Mesmo que todos eles sejam beijos sem amor...
Eu sei que preciso diariamente deles, desses beijos sem sabor
Uma dose inexata e ineficaz, não importa quero esses paliativos
Pois bem sei deles, preciso, afinal estou ainda vivo
Então reafirmo quero tantos e tantos beijos possa beijar
E por isso vou buscá-los seja aonde for
Mesmo que todos os beijos que terei sejam todos beijos sem amor

terça-feira, 30 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

EFÍGIE




No jardim de uma vasta casa
Uma efígie estranha habitava
E feito um verme se arrastava
Ao relento ou ao vento
Seja qual for a estação
Chova ou faça sol
Sempre lá ela estava
Muda...
Sentada...
E tristonha.
Seu olhar perde-se no horizonte
De um passado distante
Lágrimas instantaneamente
Rolam pela sua senil face
Falecendo no solo em enlace.
Uma sombra sombria
Em sua mente percorria
E no seu coração já adentrou
Depois fora embora
Sem olhar pra trás
Deixando ser semimorto
Extinto de sentimentos
Presenteando-a com grande angústia
Sugou-lhe a comoção... e a razão
Fê-lo prisioneiro da solidão.

sábado, 4 de agosto de 2012

CIPRESTE





Um dia eu vou morrer
E todos vão me esquecer
Não sei se rápido ou lentamente
Mas vou ser esquecido, vou sim
Numa lembrança perdida ao vento
Numa lágrima que cai sem razão
Numa noticia num canto de mural escolar
Em alguma recordação vã de um ex-aluno idoso
Em algum site de busca da internet
Em algum site de poesia, se ainda existir poesia nesse dia
Em um livro empoeirado em algum canto por ai
E talvez nos parentes remanescentes que sobreviverem
Ah, eu for ser esquecido sim, mas será que eu mesmo vou esquecer-me de mim?
Espero que não, pois vivi a vida toda na contramão da minha existência
Lutando para não perder a essência, ser referência e também incidência
Apesar da insistência de muitos eu lutei até as minhas últimas forças
Eu fiz tudo errado tentando fazer certo, eu fui louco em demasia, eu respirava poesia
Eu chorava de alegria e tristeza, eu me emocionava sem motivo nenhum ou certeza
E dos meus olhos vertiam lagrimas que me assustavam e me encantavam em sincronia
Eu disse coisas impensadas, eu tentei me encontrar, eu tentei amar, eu banhei nu no mar
E escrevia poesias entre um ou outro jato de água fria e entre uma vida quase vazia
Ah, eu escrevia poesias sim, de fato, inexato, a todo o momento, num insight, numa fuga lúdica
Ah, eu escrevi poesias, muitas, eu as relia, eu me surpreendia... ah, ou será que apenas eu sonhava acordado.

sábado, 21 de julho de 2012

INDÍCIOS ILÍCITOS


              
Como fazer para ter vida
No meio de figuras mortas?
Que se enfileiram em ardis minucias
No perambular de cambaleantes vultos
Que se escondem não se sabe onde

E fogem não se sabe de quem
Que deflagram absurdos e veem tudo turvo
Naquele mirante minguante que fica no mais alto cume
Donde jazem as desesperanças e desafetos
Remanescentes do que já foi rastro de alguém um dia.

sábado, 30 de junho de 2012

PRANTO SUCATEADO



Chove dentro de mim
Uma chuva ácida
Um chuvisco dorido
Está chovendo torrencialmente
E por mais que eu tente e fuja
Não consigo fugir da chuva, das nuvens
Desse dia ferozmente nublado...
A chuva molha de cima a baixo
Me molha de todos os lados
Me deixa embriagado, todo encharcado
Todo ensopado de água de chuva
Que não para nunca de molhar e respingar
Chove profundamente aqui dentro, bem no fundo
Chove muito forte, chove e estou sem guarda-chuva
Chove bastante em cima do meu pranto sucateado.