Todo dia...
Ela passava
Eu a seguia
Ela andava
Eu me perdia
Ela parava
Eu me encantava.
Todo dia...
Ela vinha
Eu me aturdia
Ela olhava
E me matava
Ela falava
Eu me confundia
Ela sorria
Eu morria
Todo dia...
Era assim
Eu cada dia mais distante dela
E ela cada vez mais próxima sim
Eu sem ela
Ela sem mim
Eu lírio
Ela jasmim
Ela sem jardineiro
Eu sem jardim
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sábado, 28 de janeiro de 2012
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
FLOR NO CABELO
FLOR NO CABELO
Flor no cabelo...
Enlevo
Ensejo
Esquartejo
Da falta de traquejo
Em sobejo
Que vejo e revejo
Diante do espelho
No qual percebo
Que o desmantelo
Não está na flor
Não está no cabelo
Não está no que almejo
Está no corpo
Ao qual desejo
Que esteja sem flor
E sem cabelo
Esteja apenas
Ensimesmado
Pelo lampejo
Que parecia pena
Mas é perda
Quiçá peleja
Quer queira
Ou não queira
Entre um ou outro
Levantar das sobrancelhas.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
CEMITÉRIO DE AMORES
No meu cemitério interior
Jaz tantos amores inglórios
Uns com memória
Outros sem história
Uns dentro de covas rasas
Outros em vala-comum
Alguns morreram feto
Poucos morreram senis;
E os demais eu mesmo matei
E alguns foram enterrados vivos
Por puro vício e castigo
Que me perdoem todos foi preciso.
Um ou dois cometeram suicídio
E um ou outro sepultei como indigente
Sem direito a lápide, a coroa de flores
A visita no dia de finados ou vela no quarto
Nem epitáfio de identificação ou oração.
E assim vago entre esses amores mortos
Nesse necrópole de sentimentos ausentes
Localizado em algum lugar perdido
Nisso que chamam coração
E nesse cemitério sendo o coveiro
Eu cuido de tudo do nascimento ao enterro.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
TERRA & PÃO
Para o cemitério
Todos estamos indo para lá
Seja de onde vier
Seja de qualquer lugar
Não tem jeito
Não adianta relutar
Ele é o nosso eterno lar
E querendo ou não
É regra sem exceção
A hora da infinita comunhão
Pois da terra somos o pão.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
OLHOS DE GATO PRETO
Nada sei mais de mim
Nesses dias que vão e vem
Nesses dias intermináveis
Nesses dias que parecem não ter fim
Num girar louco que causa sufoco
Na espera insensata do que parece intermitente e inviável
No que parece ser instável e até execrável
Sob o lume de olhos de gato preto
Na encruzilhada do arvoredo de quina ao penedo
No lugar os mortos ejaculam segredos a meia luz
E onde os vivos conspiram contra as linhas tortas do destino.
RASGA-MORTALHA
Na vereda fria e escura que vislumbro atemporalmente
Ouço o ciciar do vento entre as folhagens
Ouço os ruídos de insetos nos confins da noite
Ouço o medo congelar os ossos como açoite
E assim sigo veementemente sorrateiro
No desbravar incógnito de ser sonho ou pesadelo
E nesse desmantelo eloquente e soturno
Vejo-me frente a frente com meus fantasmas mais temidos
Que chamam por mim entre grunhidos, gemidos e agravos
E nesse intervalo crucial me descubro rosa e cravo
Em seguida algo prende meu maxilar e minha jugular
No entremeio desse duelo agonizante reverbero a alma do umbral
Sinto uma apunhalada no coração fazer jorrar a vermelhidão da decepção
Enquanto isso uma adaga ágil e afiada despetala a rosa e decepa o cravo
Então reencontro sentido das coisas no meio do nada que brota em forma de copas
E didaticamente esquartejo o malfazejo que no seu vil desdenhar some na imensidão
E que intensamente me devora da forma mais inclemente e inglória.
DROPS DE MENTA (HallS)
Para as lacunas do vazio
As margens do rio
As roupas de frio
As amarras de fios
E nada de arrepios
Ou calafrios.
Para as lacunas do vazio
Mais brio
Mais assobio
Menos invio
Menos exício
Menos estio
Para as lacunas do vazio
Esvaziamento emergencial
Das toxinas da carnificina
Que fluem nitidamente
Da tosca visão que te alimenta
Nesse gosto que fica na boca
De dropes sabor de menta.
OBS.:ESSE POEMA É PARA UM AMIGO QUERIDO PERDIDO NO TEMPO E SUA INFINITA E REPLICANTE SOLIDÃO.
As margens do rio
As roupas de frio
As amarras de fios
E nada de arrepios
Ou calafrios.
Para as lacunas do vazio
Mais brio
Mais assobio
Menos invio
Menos exício
Menos estio
Para as lacunas do vazio
Esvaziamento emergencial
Das toxinas da carnificina
Que fluem nitidamente
Da tosca visão que te alimenta
Nesse gosto que fica na boca
De dropes sabor de menta.
OBS.:ESSE POEMA É PARA UM AMIGO QUERIDO PERDIDO NO TEMPO E SUA INFINITA E REPLICANTE SOLIDÃO.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A 4 MÃOS
O meu amor é infinito.
O meu amor não cabe em si de tanto contentamento.
Eu só sei te amar.
Eu só sei te amar mais cada vez mais.
Eu sou capaz de dar a minha vida pra ficar contigo.
Eu seria capaz de dar duas vidas, se as tivesse.
Corri o “mundo inteiro” atrás de um amor e descobri que ele está aqui, bem ao meu lado pra sempre.
Eu fiz o mesmo durante “longos anos” e para minha surpresa estava tão perto, que é até impossível de pensar, dizer e acreditar.
O tempo todo o mundo girava em torno do nosso amor, pois nesse momento todo, nós estávamos sendo preparados para amar definitivamente.
Eu já não posso viver sem o teu amor, deixa eu me aconchegar nos teus braços, que me abraça com a força de um deus grego.
Se aconchega, se chega, se envereda e se perca em mim, mas tem que ser pro resto da vida.
ÚLTIMO GOLE DE MIM
ÚLTIMO GOLE DE MIM
A CADA DIA
UM POUCO DE MIM
SE VAI PRA SEMPRE
E NADA DE ADEUS
APENAS UMA FALTA FICA
QUE NÃO SE DISSIPA NUNCA
E SALTITA COMO MOLECA TRAVESSA
NUM MEIO DE UM CHUVISCO
TÃO RÁPIDO QUE NEM CHEGA A MOLHAR DIREITO
MAS MOSTRA O ESTRAGO QUE UM SIMPLES AFAGO
PODE FAZER A VOCÊ.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
CALEFAÇÃO
EM ALGUM LUGAR QUE NÃO SEI ME PERDI DE MIM
PERDI-ME ASSIM DE FORMA DESAVISADA
ASSIM COMO SE PERDE QUASE NADA.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
MEU NOME
Zaymon surgiu da necessidade de um nome incomum
Já que o meu a meu ver não tem charme nenhum
Zarondy vem por combinação de letras iguais
Foi retirado de um conto de minha autoria
E parece ter sido sussurrado no meu ouvido
E embora tenha pesquisado não encontrei significados concretos
Ai fui ao Z que diz que nomes iniciados com essas letra
Possuem grande coração, criatividade e vitalidade
Além disso, gosta de privacidade e é cheio de segredos
É de personalidade mutável de acordo as situações
E o que mais me chamou atenção foi o fato de procurar
Acreditar que a felicidade existe, e eu creio muito nisso
E assim resisto e insisto, sim eu acredito e meu caminho sigo
Nesse idílio entre letras, poesia e vida deixando uma trilha
Eu sou o poeta Zaymon Zarondy e por isso estou aqui.
Poetizar é minha sina, venha minha trilha seguir...
Trilha de poemas.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
ESSE LOUCO QUE MORA EM MIM
Esse louco que mora em mim
Me causa tanta tensão
Esse louco que mora em mim
É minha salvação.
Esse louco que mora em mim
É pura profanação.
Esse louco que mora em mim
É sacro que enche o saco.
Esse louco que mora em mim
É mudo e nem sabe libras.
Esse louco que mora em mim
E essas suas chagas fedidas.
Esse louco que mora em mim
Não paga aluguel e usa véu.
Esse louco que mora em mim
Escara meu corpo e rasga a minha alma.
Esse louco que mora em mim
É revesso de tudo que quero.
Esse louco que mora em mim
É o meu guia e todo dia ele me desafia.
Esse louco que mora em mim
É o mesmo louco que me dá socos e rosas.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
OUTONO EM OUTUBRO
OUTONO EM OUTUBRO
Todo ano
Sinto a presença
Viva do outono
Em outubro
E ganho então
Um abraço saudoso
Do tempo
Então descubro
Ou redescubro
Não sei ao certo
Que algo em mim
Expira e conspira
Para o desfecho
Diante disso estremeço
E por um instante esqueço
Que a cor do meu rubor é rubro.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
DINTORNO
Em cada encontro, um novo confronto.
Em cada nova relação, uma chance pro coração.
Em cada atitude, uma esperança que tudo mude.
Em cada cheiro, outro meio de devaneio.
Em cada conhecimento, um novo movimento
Em cada vento, um momento de esquecimento
Em cada abraço, o surgir de um novo laço.
Em cada aproximação corporal, um sinal para o sensual
Em cada possibilidade de amor, uma nova nuance de dor.
Em cada cilada, um corte.
Em cada rumo, um norte.
Em cada olhar, um ponto de vista.
Em cada poesia, um prisma do dia, uma cria.
Em cada beijo, um novo sabor de desejo.
Em cada enlace, o ápice da paixão.
Em cada nova relação, uma chance pro coração.
Em cada atitude, uma esperança que tudo mude.
Em cada cheiro, outro meio de devaneio.
Em cada conhecimento, um novo movimento
Em cada vento, um momento de esquecimento
Em cada abraço, o surgir de um novo laço.
Em cada aproximação corporal, um sinal para o sensual
Em cada possibilidade de amor, uma nova nuance de dor.
Em cada cilada, um corte.
Em cada rumo, um norte.
Em cada olhar, um ponto de vista.
Em cada poesia, um prisma do dia, uma cria.
Em cada beijo, um novo sabor de desejo.
Em cada enlace, o ápice da paixão.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
MOSAICO HISTRIÔNICO
O palhaço não conseguiu fazer a plateia rir e sim chorar
E por mais que tentasse não tinha êxito em voltar
Tudo parecia ter perdido o tão querido sentido
E mesmo vestido ele parecia visceralmente despido
No meio picadeiro, o pranto se fazia estridente
No centro do palco vinha o cheiro forte e seco do talco
Desse modo ali na sua frente a magia se desfez
E o louco passou a são, e roupas de listras viraram xadrez
Nesse estranho mosaico da existência desse triste palhaço
Ele verteu tantas lágrimas e suor que sua máscara se desfez
Assim como sua fantasia caiu por terra a graça nunca se refez
E ali diante de todos com a cara lavada e estranhamente revelada
O riso mais uma vez se fez.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
OLHANDO A CHUVA PELA JANELA
Em algum lugar longe daqui
Deve existir o inimaginável
Eu sei que há, tem que haver
Existe o que nunca verei
Existe o que jamais terei
Existe o que ainda não saboreei
Existem passos calmos e cautelosos
Existem vozes mansas e suaves
Existe um paraíso e um oásis
Existem molas para novas engrenagens
Existe alguém de pé no portão
Com os braços abertos e os olhos cheios de paixão.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
"Roda-Viva" Seleta de Poesias Edição Especial 2011
“VELHO LIVRO”
Meu mundo é quadrado
Meu destino é um cubo
Meu caminho um triângulo
Meus dias um círculo
Minha vida uma espiral
Minhas noites uma elipse
Meus amores um polígono
Sem retas paralelas
Sem linhas perpendiculares
Sem curvas tangenciais
Sem partes congruentes
Sem peças convergentes
Sem arestas que se encaixam
Apenas com encaixes divergentes
E equações nada condizentes
Com os enunciados propostos
E o gabarito para conferir
No final daquele velho livro
Ao qual o tempo folheia diariamente.
Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos Volume 81
“CIA LTDA.“
Com o passar do tempo
Eu fui vendo lentamente
Ou melhor, fui forçado
A acreditar que nada fica
Nem se faz, tão pouco se refaz
E a gente tem de encarar
Que sempre só está
E embora se queira muito
Viajar na utopia de uma companhia
Acaba-se certamente dando de
Encontro ao abandono, ao
Errôneo e enfadonho desassossego
Da enorme falta que fica
Quando se percebe que as
Coisas se vão, os sentimentos
Se dissipam e as pessoas são
Como paisagens que a gente
Vê passando pela janela ao
Se fazer uma longa viagem;
Essa viagem é como se fosse
Nossa própria vida e com os anos
As lembranças vão ficando
Mais e mais assustadoramente
Distantes da mente, do corpo,
Do espírito e do coração, daí
Vem o vazio inerente a qualquer ente
Todos sinônimos de amor ausente.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
TRILHA
Trilha
Andarilhei pelo deserto
Nadei nos oceanos profundos
Explorei os subterrâneos
Depois voei sem rumo
Entre nuvens celestiais
Até chegar às estrelas.
Viajei pelo universo
Passeei pelo céu,
Corri nu no paraíso
Sofri martírios, vivenciei delírios
Tudo enfim que foi possível.
Circulei o astro rei
Reverenciei a lua
Visitei o infinito
E cá de volta a terra
Te encontrei a minha espera.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
BIODISTÂNCIA
Ao longe... onde todo dia o sol se esconde.
Bem distante de onde estou nesse momento.
Vejo você indo, sumindo, se diluindo, sucumbindo.
Diante do que parece impossível de acontecer:
A vida quer levar você pra sempre de mim.
Logo agora que a distância que antes te levou
Tornou-se a mesma distância que nos aproximou
E de uma forma louca também nos eternizou.
E por analogia nossa incompleta história se completou.
E se redefiniram todas as juras que perderam o sentido.
Assim como o choro, a luta, o improviso, as brigas,
A falta de juízo e até o voo suicida justificaram sua contrapartida.
E o que outrora pereceria esquecido na distante memória
Tornou-se o ponto de pura convergência e sapiência.
E então mesmo que a vida te leve desse plano físico.
Nada vai nos tirar um do outro, pois o nosso amor ganhou status de bem precioso.
Relicário do que existe de mais valioso.
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